segunda-feira, outubro 06, 2008

Prefácio do meu livro GATO PEDRA

Porque se calhar o prefácio ultrapassa o livro em criatividade, loucura, humor e amor...


Prefácio “Gato Pedra”

De Poeta e de Louco…

Nunca cheguei a perceber se ela era gorda ou magra, da mesma forma que não me lembro se ela é alta ou baixa. Do cabelo, lembro-me claramente…é vermelho fogo, ou será laranja vivo, ou mesmo cajú brilhante? Os olhos vivos, esses sim, são de um azul brilhante, ou será verde esmeralda ou castanho vulgar? As mãos frágeis e delicadas…talvez sejam fortes e seguras! Os seus gestos contidos, quase intimistas, recordo-os… largos, exuberantes.
Olho-a e será que a vejo? Ela existe! Sim? Para mim ela era uma vidente. Ou seria uma pintora? Não, era escritora! Ou será que é uma Fada? Será um Anjo ou um Demónio?
Revi-a nas telas, como Milêna. Li-a como Maria de São Pedro. A cumplicidade de anos, levou-me a tratá-la por Leninha.
Sempre diferente, nunca indiferente. Seguramente…invulgar, inesperadamente real. Permanentemente irreal… Mineral ou animal, flor ou joaninha? Talvez, pomba e loba! Mais… cão e gato, tipo gato e rato! Independente, livre, “transfer” ou espelho de si mesma. Cheia de explosiva criatividade, natural força da natureza.
Em “GATO PEDRA”, contos ou estórias de inexplicáveis géneses, duvidosos contornos e imprevisíveis desfechos, em abono da verdade e para descanso do leitor, apela-se à imaginação pela imaginação.
E, daí não sei!
Será que a autora, nas suas muitas vidas e nas suas muitas verdades, aqui se nos revela como uma medium ou uma visionária?
Emoções e vibrações, boas e más, em ambientes e circunstâncias banais com muito que se lhe diga. Quotidianos inesperados, esperadas incertezas. Surpreendentes descobertas sobre universos mágicos, imaginários e fantásticos, muitos deles alimentados por medos, fobias ou, simplesmente, pelo desconhecido.
Porque, também, quando se fala da vida e da morte, representação ou psico -drama da nossa própria existência, todas as cautelas são poucas, pelo sim e pelo não... não vá o Diabo tecê-las!
E, porque não uma delirante fantasia? Ou um delicioso e flagrante devaneio, qual exercício de nonsense…
Eis-nos perante as dúvidas e os anseios de quem lê as certezas e as seguranças de quem escreve. Ou será o contrário? Perante um mundo de ilusões…continuo a acreditar. Ele existe! Ele habita em nós.
E, todos nós, autora e leitores habitamos neste livro. Estamos lá Todos. Porque ele, livro, é a mimetização exacta da nossa dimensão e da outra…
Mas será que este livro existe?
Será que alguma vez existiu a autora?
Interrogo-me com a certeza de que este prefácio nunca existiu ou existirá.
É que, como diz o Povo… “de poeta e de louco, todos temos um pouco”!

VÍTOR ESCUDERO
( Academia Nacional de Belas-Artes
e Academia de Letras e Artes )

5 Uivos:

Blogger OUTONO uivou...

Interessante...diria...muito, este "retrato" interrogativo de um escrito que promete.

Lê-se, tenta-se compreender, como chocolate quente a derreter na boca, e afaga-se o gosto de um final poético, onde de são e de louco...todos temos um pouco.

Interessante...diria...muito!

8:49 da tarde  
Blogger Paula Raposo uivou...

Quando li o livro adorei o prefácio!! Tal como o livro...beijos.

11:00 da manhã  
Blogger jo ra tone uivou...

Não conheço o livro
Mas deve ser interessante.
Bjo

5:49 da tarde  
Blogger Paradoxos uivou...

"Lobos"

vim pela alcateia :-)
logo hoje que Lobo Antunes não teve tempo pra me dar os 5 minutos prometidos. ficou pra semana.

tenho de conhecer este - será mais um por desvendar...

Eduardo

8:53 da tarde  
Blogger Rodolfo N uivou...

Hermoso prefacio, me encantaría conocer ese libro, el título tambien es atrayente.
Cariños!

11:53 da manhã  

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