domingo, fevereiro 27, 2005


O cheirinho a tangerina doce
que resta numa tigela de barro
onde cascas partidas e repartidas
descansam descuidadas.
O frou frou de alhos e cebolas,
enrolados no jornal da véspera,
perfuma a neblina cálida
de um fim de tarde
numa cozinha de subúrbio.
Quando a campainha berrar,
(e porque o raio da campainha berra)
é hora de lavar as mãos
e enroscar-me no meu homem
que chega da fábrica.

3 Uivos:

Blogger Carlos Barros uivou...

a vewrdade é que os cheiros avivam-nos as memórias e os amores, essa é a verdade, nua e crua e ás vezes tão doce.

11:49 da tarde  
Blogger LUA DE LOBOS uivou...

gostaste do poema?
ainda não foi publicado em papel ::))
mas irá...acho ::))

12:17 da tarde  
Blogger Águas de Março uivou...

Olha, aqui estou a ler este teu poema untitled,e a gostar francamente do que leio - deste tipo de poesia do dia a dia, despretenciosa, que parece simples mas que as mais das vezes é bastante difícil de conseguir.
Obrigada pela tua visita, e pela desgarrada. Até fiquei sem fôlego, mulher! Não te conhecia :)
Vou voltar para te ler com mais tempo.
Beijo, hem?

2:07 da tarde  

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